Brasil estoura a conta e paga R$ 1 trilhão só em juros
O Brasil cruzou um limite preocupante: o gasto com juros da dívida pública chegou a R$ 1 trilhão em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central. É a primeira vez que o país atinge esse patamar. O número escancara uma armadilha financeira que drena recursos da economia real e pressiona as contas públicas de forma contínua.
Para ter dimensão do problema, o valor gasto com juros é mais que o dobro dos orçamentos anuais de Saúde e Educação somados. Esse dinheiro não vira hospital, escola ou serviço público. Vai direto para remunerar quem empresta ao Estado. Em relação ao tamanho da economia, a conta é ainda mais pesada: os juros consumiram 7,9% do PIB, quase o dobro do registrado em 2020, quando estavam em 4,1%.

A escalada tem três causas principais. A primeira é a deterioração fiscal, iniciada após a pandemia com o rompimento do teto de gastos, medidas de curto prazo e aumento expressivo de despesas. O cenário continuou no governo atual, com a PEC da Transição, regras fiscais mais flexíveis e crescimento contínuo de gastos obrigatórios, como Previdência e benefícios sociais. Com mais risco, o mercado cobra juros mais altos.
O segundo fator é a Selic elevada, mantida por mais tempo para conter a inflação, o que encarece automaticamente a dívida, já que grande parte dela é indexada à taxa básica. O terceiro é a bola de neve: como o governo não gera superávit para pagar os juros, precisa emitir mais dívida para cobrir a conta anterior. O resultado é juro sobre juro. Sem um choque de credibilidade fiscal, o trilhão deixa de ser exceção e vira regra, sinal claro de um país que gasta muito, gasta mal e paga caro por isso.



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